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23/05/2011

Jovens continuam participando da política, mas de outras formas, aponta pesquisa

 

 

Um em cada três jovens brasileiros participa de algum tipo de organização social. São grupos religiosos, de hip-hop, de grafiti, que não são vistos tradicionalmente como organizações políticas. Mas, atualmente essas têm sido as formas de participação social dos jovens brasileiros.

As avaliações fazem parte de uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto Pólis de Estudos e Assessoria em Políticas Públicas.

“Apesar de se comentar que o jovem brasileiro está em apatia, a pesquisa aponta um grande nível de participação juvenil”, destaca Ozanira da Costa, uma das coordenadoras do estudo. Apesar disso, os jovens têm buscado novas formas de participar da vida política, já que há um descontentamento de participação, como partidos, sindicatos e entidades estudantis. “A própria realidade do país não estimula esse jovem a participar da política tradicional”, lamenta Ozanira da Costa, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Essa realidade se reflete nos números. Dos oito mil jovens entrevistados, em oito regiões metropolitanas, 28% fazem parte de algum grupo. Mas apenas 1% desses jovens participam de algum partido político. E apenas 0,7% está filiado a algum sindicato.

A principal forma de participação é em grupos religiosos (15%), seguida das associações esportivas (8%) e de grupos artísticos (8%). Para Ozanira, o resultado mostra a importância dos três temas – religião, esporte e cultura – para a juventude.

Um em cada cinco jovens respondeu “sim” à pergunta “Você já participou de algum movimento ou reunião para melhorar a vida do seu bairro ou da sua cidade?”. Desse público que já havia participado de alguma mobilização, 40% tinham como objetivo melhorar ou criar uma área de lazer ou esporte. Os outros motivos foram segurança (34%), melhora de saneamento (29%) e de postos de saúde (27%).

Duas das chaves para essa participação, segundo a pesquisadora, são a renda e o grau de educação dos jovens. A pesquisa revelou que quanto maior a renda do jovem, maior seu grau de participação em organizações sociais. O mesmo vale para o grau de instrução.

“A grande ligação para que o jovem possa participar mais da vida política e da sociedade é a educação”, afirma. “Mas o jovem pobre tem uma grande dificuldade de acesso à educação e não tem estímulo. Já o jovem com renda familiar melhor tem condição de ir a uma escola particular e lá tem mais acesso à informação e mais estímulo para participar da vida política do país”.

A falta de acesso à informação é outro obstáculo à participação, segundo Ozanira. “A pesquisa mostrou que 85% dos jovens se informam pela televisão. (...) Os jovens não têm acesso e as escolas não estimulam temas da atualidade”.

A pesquisa dos institutos Pólis e Ibase foi feita em dois períodos: julho de 2004, pouco antes das eleições municipais, e novembro de 2005, período da crise política que atingiu o Congresso Nacional. Foram entrevistadas oito mil pessoas de 15 a 24 anos das regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Distrito Federal.

Após seis anos da pesquisa, podemos avaliar quais são as mudanças ocorridas neste cenário? O envolvimento do jovem em causas sociais e, principalmente na vida política do país aumentou? É importante analisarmos o comportamento e interesses de nossos jovens, para pontuarmos as necessidades da juventude brasileira e motivá-los ao protagonismo juvenil. Por que não aproveitarmos os temas mais procurados pelos jovens, como nos aponta a pesquisa – religião, esporte e cultura -  como ferramentas de trabalho para fomentarmos nos jovens o espírito político e mobilizador de causas sociais? Já temos os dados, vamos agir?

 

 

Referência:

Extraído do caderno Juventude e Trabalho, da Coleção Cadernos de EJA, do Ministério da Educação, 2007, p.51. (Daniel Merli, http://www.radiobras.gov.br)

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