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Museu: recurso que enriquece o processo de ensinoaprendizagem

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19/07/2010

Os Museus são definidos como instituições que promovem a difusão cultural entre o passado, presente e futuro. Seus objetivos são os de conservar, criar e transformar as teias de significados que estão entrelaçadas no nosso cotidiano.

Eles ocupam lugares especiais que proporcionam aos seus visitantes, a interação com o cognitivo tridimensional e fazem parte de todas as áreas de conhecimento educacionais e culturais.

Como coloca Sepúlveda (2003), os Museus são instituições de origem humanista e vinculada à modernidade, pois tem como objetivo, conservar, pesquisar, coletar e exibir em espaços públicos, materiais de origem cultural e que representam as idéias, crenças, costumes, ideologia e a natureza de diversos locais.

A escola, como instituição formal de ensino, tem como principal objetivo, o de ensinar. O significado de ensinar está, no introduzir, fazer saber, comunicar conhecimentos, mostrar, guiar, orientar, dirigir e desenvolver habilidades. O professor é o agente principal do processo ensinoaprendizagem, pois utilizam suas habilidades e competências, adaptadas à realidade da comunidade que o educando está inserido.

 O ensinar e o aprender são indissociáveis, pois se definem na ação e reação. Para que haja esta reação de maneira positiva, a ação deve ser prazerosa e envolvente, desta forma, despertará a curiosidade e interesse do educando pelo novo.

Quando falamos em aprender, entendemos: buscar informações, rever a própria experiência, adquirir conhecimentos, desenvolver habilidades, adaptar-se a mudanças, mudar comportamentos, descobrir o sentido das coisas, dos fatos, dos acontecimentos ... (MASETTO, 1997: 45)

 

Segundo Masetto (1997), se o ser humano fosse capaz de aprender sozinho, não haveria necessidade de educadores e nem da escola. Mas sabe-se que a educação não funciona desta maneira, pois através da possibilidade do contato com o meio, o indivíduo desenvolve-se como ser humano, no aspecto cognitivo, e como cidadão pertencente à sociedade que vive.

A escola e o professor trabalham com a aprendizagem do aluno, em um processo contínuo, além disso, sabemos que aprender, não é propriedade exclusiva do educando, pois o professor também aprende.

Na sociedade, isto é, fora da sala de aula e além da escola, a educação é um processo contínuo e universal, onde “as gerações adultas, transmitem às novas gerações, o patrimônio cultural do grupo, visando à preservação, à continuidade e também à renovação e ao enriquecimento dessa mesma cultura.” (CARVALHO,1984)

Os Museus de Ciências são a porta de entrada para um mundo novo no cotidiano do educando. Eles proporcionam e complementam, de maneira lúdico-cultural, o aprendizado nas diversas áreas do conhecimento. É a prática aliada ao conteúdo, e os professores devem se apropriar deste recurso didático-cultural, para utilizá-lo como instrumento tridimensional de ensino.

Descobrindo e aprendendo pro meio de experiências do seu cotidiano, o aluno percebe que este processo de aprendizagem está em toda parte, sendo vivida de maneira concreta e significativa, pois esta motivação leva o educando a se identificar como pessoa capaz de se relacionar com o meio e agir sobre ele. E desta forma, valorizar e preservar seus patrimônios culturais e naturais.

Em todo processo de aprendizagem, existe um retorno, e continuamente uma troca, entre quem passa e quem recebe. Essa troca é efetivada no diálogo, nas experiências vividas e contextualizada com o assunto proposto em aula, aplicados nos Museus de Ciências, por exemplo. Desta forma, os objetivos propostos, são superados e, tanto os alunos, quanto os professores ganham nesta experiência.

Reflexões acerca da prática educativa nos Museus e Centros de Ciências são importantes para despertar nos educadores das instituições formais e não-formais de ensino, a importância da relação museu-escola como recurso enriquecedor para o processo de ensinoaprendizagem interdisciplinar.

Os museus qualificam o processo de ensinoaprendizagem e devem ser valorizados pelos educadores, efetivando uma parceria onde ambos saem ganhando. Tanto a escola que proporciona aos seus alunos uma educação contextualizada e significativa, quanto os museus, que valorizam o seu patrimônio comprovando seu valor histórico-cultural para a sociedade.

Partindo do pressuposto de que nas cidades do interior de cada estado não existam museus, como solucionar esta problemática? Existem alguns obstáculos, que devem ser superados com a criatividade dos professores e com o bom senso dos gestores de cada escola. E a solução é a criação de Museus Comunitários, que podem ser geridos pelos professores e alunos de uma determinada escola.

Os educadores interessados em criar um museu temático com a história, costumes e recursos naturais de sua comunidade ou cidade, devem procurar algum tipo de informação e/ou capacitação na área museológica e desenvolver um projeto com as etapas a serem seguidas. Desde o local onde ficará a exposição, as pessoas que farão a coleta de dados (materiais e imateriais), a organização, catalogação e disposição do acervo, a monitoria, divulgação, agendamento de atividades e tudo que está envolvido no mundo museológico.

 

O museu deve ser visto como instituição parte da vida comunitária correspondendo à necessidade de, em nosso mundo moderno, haver uma previsão de um local receptivo à memória cultural, centro de educação permanente essencial ao desenvolvimento sócio-econômico, fontes de imagens, idéias e testemunhos da capacidade criadora do homem em seu longo e complexo processo evolutivo. Museu como instituição comunitária a serviço do povo levando-o à percepção de todo um sistema de valores que estabeleça um continuum entre passado e presente, gerador de perspectivas para o futuro. Casa de valorização do trabalho intelectual e artístico, não somente reservada às elites, mas, sobretudo, casa da memória renascida do imaginário, local onde a criança descobre pistas para novas soluções, caminhos de vida. Espaço ecológico para experiências e descobertas; espaço permitindo nova visão da arte, ciência e tecnologia, situando-as no contexto histórico-social, valorizando-as sem hierarquias. (VARELLA, 1978 apud SANTOS, 1981:08)

 

As palavras de Varella expressam exatamente o sentido prático destes museus e seus efeitos sociais. São iniciativas desenvolvidas pelas escolas e/ou comunidades que podem contribuir com a valorização cultural da população envolvida e suas próximas gerações, bem como com o desenvolvimento social da mesma.

 

Artigo de autoria de Milena Gomes Prol Otero Matioli - coordenadora pedagógica do Museu de Ciências Naturais Joias da Natureza

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

CARVALHO, Irene Mello. O Processo Didático. 5ª ed. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1984.

 

MASETTO, Marcos Tarciso. Didática: a aula como centro. 4ª ed. São Paulo: FTD, 1997.

 

SEPÚLVEDA, Luciana. Ciência e Vida Cotidiana: parceria escola e museu. Disponível em: <http//:www.tvebrasil.com.br/salto>. Acesso em: 24 abr. 2006.

 

VARELLA, Noemia. A criança e o museu. Rio de Janeiro: Fundação Mudes. s.d. p. 9 -15. in SANTOS, Maria Celia Teixeira Moura. Museu-Escola: uma experiência de integração.1981. Dissertação (Mestrado em educação) UFBA - Faculdade de Educação, Bahia.

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